MAM Rio: Affonso Reidy e o Modernismo Brasileiro

Fachada do MAM Rio refletida no espelho d'água, projeto de Affonso Eduardo Reidy no Aterro do Flamengo

Fotografia de arquitetura no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, um dos projetos mais importantes do modernismo brasileiro.

O MAM Rio foi projetado por Affonso Eduardo Reidy, inaugurado em 1958, com paisagismo de Roberto Burle Marx.

O edifício ocupa uma posição isolada dentro do Aterro do Flamengo, cercado por céu aberto e pela Baía de Guanabara ao fundo.

Chegada ao Aterro do Flamengo

MAM Rio ao amanhecer, vista entre palmeiras, arquitetura de Affonso Eduardo Reidy no Aterro do Flamengo

A aproximação ao MAM Rio acontece aos poucos, entre as árvores do parque projetado por Burle Marx, antes que a estrutura de concreto apareça por completo.

Essa aproximação lenta faz parte do desenho original: o museu se integra ao parque como parte da paisagem contínua do Aterro do Flamengo.

Fotografar essa chegada, com a vegetação tropical em primeiro plano e o concreto de Reidy ao fundo, foi o ponto de partida do ensaio.

Os Pilotis em V: a Assinatura Estrutural de Reidy

Detalhe dos pilotis em V do MAM Rio, estrutura de concreto de Affonso Reidy com luz lateral

A estrutura define o MAM Rio.

Reidy ergueu todo o volume principal sobre uma sequência de pilares diagonais em V, que se cruzam em ziguezague ao longo de toda a extensão do edifício.

Esses apoios expõem o próprio trabalho estrutural, mostrando com clareza como o peso da laje superior é conduzido até o solo.

Fotografar esse sistema de perto, ao nível do chão, ao longo da sequência de pilares, ajuda a entender por que essa solução se tornou uma das imagens mais reconhecíveis da arquitetura brasileira do século XX.

Pilotis em V do MAM Rio com reflexo das janelas, arquitetura modernista de Affonso Reidy

A luz rasante do fim da tarde acentua as arestas do concreto e cria uma leitura quase gráfica da estrutura, reforçada pelo contraste com o tijolo aparente usado nos volumes fechados sob a laje.


Detalhe da viga de concreto e parede de tijolo do MAM Rio, arquitetura de Affonso Reidy
 

Sob o Pilotis: Ritmo, Sombra e Enquadramento

Caminhar sob a laje do MAM Rio envolve o corpo inteiro.

A repetição dos pilares em V cria um ritmo constante de luz e sombra no chão, que muda de intensidade e direção ao longo do dia.

Vista panorâmica sob o pilotis do MAM Rio em direção à entrada do museu
Vão entre os pilares em V do MAM Rio enquadrando um edifício do centro do Rio de Janeiro

Essa repetição estrutural funciona também como moldura.

Em vários pontos, o vão entre dois pilares recorta um fragmento específico da cidade ao redor, transformando a estrutura do museu em um dispositivo de enquadramento da paisagem urbana do Rio.

Contraluz e o Skyline do Rio

Contraluz entre os pilotis do MAM Rio com o skyline do centro do Rio de Janeiro ao fundo

Em determinados horários, o sol entra diretamente pelos vãos triangulares formados pelos pilares, criando um contraluz forte que revela o skyline do centro do Rio por trás da estrutura.

Pilotis do MAM Rio em contraluz, com prédios do centro do Rio de Janeiro visíveis ao fundo

Esse foi, para mim, o momento mais dramático do ensaio: a arquitetura de Reidy, o concreto bruto, e a cidade contemporânea aparecendo na mesma imagem, um diálogo direto entre o modernismo de 1958 e o Rio de hoje.

O Espelho d'Água e o Paisagismo de Burle Marx

O projeto paisagístico de Burle Marx completa a leitura do edifício.

Fachada do MAM Rio refletida no espelho d'água com vitórias-régias, paisagismo de Burle Marx

O espelho d'água em frente à fachada principal, com vitórias-régias, devolve a imagem do museu de forma simétrica, dobrando visualmente os pilares em V na superfície da água.

Reidy e Burle Marx projetaram arquitetura e paisagismo juntos, como um único conjunto.

A fotografia confirma essa integração: a água, a vegetação, e o espaço aberto do parque fazem parte da composição do edifício tanto quanto o concreto.

Considerações Finais

O MAM Rio recompensa quem para para olhar com atenção.

É um edifício generoso em leitura fotográfica: estrutura, luz, água, e paisagem se organizam em camadas que aparecem quando você caminha ao redor dele, muda de altura, espera a luz virar.

Ficha Técnica

Arquitetura: Affonso Eduardo Reidy

Paisagismo: Roberto Burle Marx

Localização: Av. Infante Dom Henrique, 85, Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro, Brasil

Ano: 1958

Categoria: Instituição Cultural / Modernismo Brasileiro

Fotografia: Fotografia: Pedro Ferr, com atendimento no Brasil e no Golfo

Perguntas Frequentes

Quem projetou o MAM Rio?

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro foi projetado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy, com inauguração em 1958.

É considerado uma das obras mais importantes do modernismo brasileiro, ao lado de projetos como o Conjunto Residencial Pedregulho.

Por que os pilares do MAM Rio têm formato em V?

Os pilares diagonais em V sustentam toda a laje do volume principal do museu, conduzindo o peso da estrutura até o solo sem a necessidade de paredes de apoio internas.

Essa solução estrutural libera o térreo do edifício, criando um espaço aberto e contínuo sob o pilotis.

Quem assina o paisagismo do MAM Rio?

O paisagismo do MAM Rio foi projetado por Roberto Burle Marx, incluindo o espelho d'água com vitórias-régias em frente à fachada principal e os jardins do entorno, dentro do Aterro do Flamengo.

Pedro Ferr fotografa projetos de arquitetura no Brasil?

Sim. Além da base em Doha, no Catar, Pedro Ferr mantém agenda de atendimento no Brasil para arquitetos, designers de interiores e estúdios que queiram documentar seus projetos com o mesmo padrão técnico usado em trabalhos internacionais. Mais informações em Fotografia de Arquitetura e Interiores no Brasil.

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